Ele largou o emprego duas vezes, e só a segunda ficou de pé
O César Munutti já tinha sido sócio, viu a empresa falir, voltou para a carteira assinada e ficou nove meses. No episódio 01 ele conta o que fez diferente na segunda vez, e quanto tempo passou sem tirar um real do próprio negócio.

Quem largou, quebrou, voltou para a carteira assinada e saiu de novo consegue contar outra coisa, mais útil: o que faz alguém tentar pela segunda vez, e o que ele faz diferente.
É o caso do César Munutti, sócio da Cápsula TI, no episódio 01 do Café com Experts. A história dele tem uma volta atrás no meio, e é essa volta que quase nunca aparece.
- Antes de tudo Técnico de central telefônica, o equipamento que distribuía as ligações dentro de uma empresa antes de tudo virar internet. Nortel, Siemens, Alcatel.
- A virada Um chefe o convida para o comercial. É lá que ele conhece o João e o Júnior, que hoje são os sócios dele.
- Primeira tentativa Empreende e quebra. Quem avisa do tamanho do problema é o sócio da época, dizendo quanto tempo de caixa ainda existia.
- A volta atrás Carteira assinada na Comgás, na área de alto padrão, sem nenhuma relação com tecnologia. Durou nove meses.
- Agosto de 2018 Sai da Comgás.
- Outubro de 2018 A Cápsula TI está de pé. Dois meses entre uma coisa e a outra.
Ele era técnico de central telefônica, e foi o chefe que viu o vendedor
O começo do César não é comercial. Ele programava central telefônica em marcas como Nortel, Siemens e Alcatel.
Quem o tirou de lá foi um chefe, com um convite que ele mesmo achou estranho:
“Ele viu algo em mim que eu talvez não tinha reconhecido, e ele falou: você é um cara legal pra ir pra área comercial.”
Episódio 01, aos 13:21
A primeira empresa dele faliu, e quem avisou foi o sócio
Antes da Cápsula, o César já tinha empreendido. E não deu certo.
“Antes de empreender com a Cápsula, eu já tinha empreendido, e as empresas faliram.”
Episódio 01, aos 16:50
O jeito como ele descobre o tamanho do problema é a parte que fica. Não foi uma planilha nem um contador: foi o sócio da época, o Mário, dizendo quanto tempo de caixa ainda existia.
Caixa é o dinheiro que sobra para pagar as contas do mês enquanto a receita não entra. Quando o Mário disse que o caixa tinha prazo, a frase que veio junto foi "procura alguma coisa, porque não vai dar certo".
Aos 17:14 ele resume o que aquilo exigiu dele: descer de um lugar alto e se colocar num lugar de mais humildade. Traduzido para o dia seguinte, era precisar de salário de novo.
Ele voltou para a carteira assinada, num setor sem nada a ver com tecnologia
A recolocação não foi na área dele. Foi na Comgás, na área de alto padrão, e ele mesmo chama a escolha de maluca, porque não tinha relação com tecnologia.
O que o levou para lá não foi o assunto, foi o que ele sabia fazer: conduzir gente e falar. Voltar não foi desistir, foi fazer a conta fechar enquanto a próxima chance não aparecia.
Esse é o trecho que o discurso de internet corta. A ida rende vídeo, a volta não rende nada, e é a volta que ensina.
Nove meses depois ele saiu de novo, e a Cápsula nasceu em dois meses
A Comgás durou nove meses. Depois o Júnior apareceu com a ideia de retomar o que os dois já tinham feito juntos em infraestrutura, e o César saiu de novo.
Pela linha do tempo do LinkedIn dele, colada aqui como fonte, a saída da Comgás foi em agosto de 2018 e a Cápsula estava de pé em outubro.
A diferença da segunda vez não foi coragem, foi bagagem:
- Mercado conhecido Montaram a empresa dentro de um setor que os dois já tinham atravessado juntos, e não num que parecia promissor de fora.
- Sócio testado O Júnior não era um nome novo: a relação vinha do comercial, e tinha começado brigando.
- Gente que já trabalhou com eles O Eduardo Delfino, que está na mesa no mesmo episódio e hoje cuida da operação e da segurança da informação, foi um deles. O César o encontrou dentro de um cliente e avisou que ia buscá-lo depois.
Foram três anos sem tirar um real da empresa
Aqui está o número do episódio, e ele é dito com os sócios assistindo ao vivo.
“Foram três anos tocando a Cápsula. Três anos sem tirar um real da empresa.”
Episódio 01, aos 29:50
A Cápsula completou oito anos no mês da gravação. Os quatro números que ele deu, lado a lado:
Pró-labore é o salário do dono. Nos três primeiros anos ele não existiu, e a vida pessoal dos sócios rodou por fora da empresa.
É por isso que ele volta ao dinheiro toda vez que alguém pergunta o que é preciso para começar. Aos 33:47 ele compara não ter reserva com ser míope: você não enxerga além, e cada decisão vira urgência.
A segunda tentativa não deu certo por ser mais corajosa. Deu certo por ser mais informada. Mesmo setor, mesmas pessoas, e três anos de fôlego bancados por fora.
O trecho em que ele conta a primeira quebra começa aos 16:50 do episódio 01.